Camara do Alandroal ainda não pagou operações realizadas em Cuba
Entre Abril de 2008 e Fevereiro de 2009, a Câmara do Alandroal promoveu quatro viagens a Cuba para tratamentos oftalmológicos a mais de 50 idosos, mas deixou aos serviços cubanos uma dívida de 50 mil euros. Ao que o CM apurou, o actual presidente da câmara, João Grilo, aguarda um parecer do Tribunal de Contas (TC) para saldar as dívidas – deixadas pelo antecessor João Nabais –, caso contrário Cuba poderá facturar directamente aos doentes. Alguns já faleceram e outros não têm condições para pagar.O receio da autarquia de o TC chumbar o pagamento da factura ganha peso depois de, em Janeiro de 2011, as despesas feitas pela Câmara de Vila Real de Santo António com as operações às cataratas em Cuba, por falta de resposta dos hospitais nacionais, terem sido consideradas "ilegais" por esse tribunal. Uma auditoria às contas da autarquia do Algarve detectou que foram gastos cerca de 640 mil euros com os doentes enviados a Cuba entre 2007 e 2009. A contratação dos serviços médicos e de transporte necessários para viabilizar as cirurgias não foi objecto de "concurso público ou concurso limitado por prévia qualificação", pelo que os pagamentos efectuados "são ilegais e susceptíveis de configurar eventual responsabilidade financeira sancionatória". Com base nos totais de despesa e no acordo entre as autoridades cubanas e o município, relatados pelo TC, terão sido tratados em Havana 220 doentes, com um custo médio de 2900 euros: cirurgia (1300 euros), viagens e internamento.No que diz respeito à autarquia do Alandroal, terão sido gastos 250 mil euros com as viagens e cirurgias em Cuba. Segundo dados revelados pela própria autarquia, os 50 mil euros em dívida são só das consultas.
Sónia Trigueirão/ Cristina Serra in Correio da Manhã.




